outubro 03, 2004

O medo - a base da Religião (?)

A religião baseia-se principalmente e antes de tudo, no medo.
É, em parte, o terror do desconhecido e, em parte, como já o disse, o desejo de sentir que se tem uma espécie de irmão mais velho que se porá do nosso lado em todas as nossas dificuldades e disputas.
O medo é a base de toda essa questão: o medo do mistério, o medo da derrota, o medo da morte. O medo é a fonte da crueldade e, por conseguinte, não é de estranhar que a crueldade e a religião tenham andado de mãos dadas. O medo é a base dessas duas coisas.
in Porque não sou Cristão, Bertrand Russell
  • ( Blog: Silêncio )
    Sentimos medo? Ou também a necessidade que temos de nos alentar e acreditar num Deus conta? Necessidade, por ter medo? Será que não chega quem nos rodeia e, a cima de tudo, nós próprios para deixar de o ter?
  • haaliah

    4 Comments:

    At 15 outubro, 2004 13:00, Anonymous Anónimo said...

    "A religião baseia-se principalmente e antes de tudo, no medo."
    Não podia estar mais errado que isto! A religião (católica, pelo menos...)é, em primeiro lugar, um ideal de vida que pretende transmitir amor. E é por este amor que se tenta lutar e alertar as pessoas. Mostrar que todos somos iguais, que é possível amar o próximo e que é possível fazê-lo em comunidade! Medo?! Não se iludam! É totalmente o contrário! A religião é a prova viva de uma comunidade que preza os mesmos valores.
    Saudações JAgozas!!! :-)
    César

     
    At 15 outubro, 2004 15:45, Blogger Ana Calhandro said...

    Medo, abrangendo o conceito de Religião; e o Catolicismo não deixa de pertencer a este círculo em que se incluiu a ideia base deste texto.
    Amor, sim, transmite-se. Mas penso que não se trata agora do que se transmite ou simplesmente a função da Religião para com as pessoas, mas sim a relação das pessoas para com a Religião.
    Isto porque em muitos casos se torna um alento para cada um, ou não?! E a perda desse alento talvez gere o tal “medo” de que se fala...
    Dentro da questão da “prova viva de uma comunidade que preza os mesmos valores”, e sendo pessimista, temos o reverso da medalha:

    “(...) por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel.”
    José Saramago
    (Archive – 23.05.2004)

    Talvez seja esta a união medo-crueldade também referida...

    Beijinho* =)

     
    At 18 outubro, 2004 14:38, Blogger Unknown said...

    Bom, em primeiro lugar, Saramago é das pessoas mais arrogantes que conheço. Não o conheço pessoalmente mas não nutro grande simpatia (que se repercute na obra).
    “(...) por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel.”
    Quem diz isto é porque não conhece DE TODO o que significa ser católico. O que é que se justificou de mal em nome de Deus? Não nos criou ele livres de escolhaer?! Que culpe o Homem, não a religião. Aliás é claro para mim que eu como Cristão sou muito mais livre do que ele pois eu sim, posso escolher entre seguir um caminho e outro pois conheço pois como católico devo ter consciência do que faço e de qual o caminho a seguir segundo o meu exemplo de vida: Cristo. Quem não o conhece não pode fazer esta escolha...
    É claro que se encontra alento na religião. O mundo não é um paraíso e passamos por diversas adversidades em que nos confrontamos com imensas dúvidas. Quando isto me acontece, páro, rezo e penso naquilo que realmente interessa e naquilo que realmente é bom para mim e para os outros (ex... o meu trabalho nos prés é algo que sempre me deu imensa força, porque acredito que posso fazer a diferença). Não podemos questionarmos de haver medo sem religião pois ela existe, o que acontece é que nem todos a abraçam ou preferem nem conhecer. Eu alegro-me por optar por este caminho que acredito ser o certo... é a minha fé! E quero batalhar para mostrar isso a vocês, mostrar que esta caminhada que eu tenho feito é de alegria, mesmo muita alegria!!!!
    um beijo bem grande!!! :-))
    César

     
    At 18 abril, 2005 06:12, Anonymous Anónimo said...

    Maninha! Nao podias ter metido um post mais certeiro. ;)

    Eu tb nao sou cristao.
    Alias, nao sou religioso.
    Melhor, sou ateu.
    E' mais isso...

    "A religião (católica, pelo menos...)é, em primeiro lugar, um ideal de vida que pretende transmitir amor."
    Bom, diria mesmo que foi amoroso queimar vivas as pessoas que questionaram a religiao catolica ha uns seculos atras. Mas nao creio que seja necessario dizer mais que isto.
    Para quem tem um vaticano cheio de obras de arte de valor inquestionavel, e veste o seu representante (o Papa) com ouro, diria que desejar "paz no mundo", "fim da fome", "paz para as criancinhas" nao esta' muito longe de uma hipocrisia que nada tem de bonito, e muito menos servira como ideal de vida para mim. Senao, deixem-me ter tanto ouro qnt eles, que depois desejarei tudo para os outros tb, e se alguem nao concordar, tragam lenha que eu acendo a fogueira. ;)

    "Medo?! Não se iludam! É totalmente o contrário!"
    Acredito mesmo que os iludidos sao os religiosos (sem querer ofender ninguem - e' a minha opiniao.).
    Eu seria religioso se tivesse medo do inferno, ou acreditasse nele. Se Deus e' infinitamente mesericordioso, para que insistir que qnd o juizo final chegar, ele vai castigar alguem?

    "O que é que se justificou de mal em nome de Deus?"
    Bom, ja mencionei a fogueira, a hipocrisia de se viver no vaticano e ter a lata de pedir esmolas nas igrejas a pessoas que sao verdadeiramente humildes, em vez lhes indicar a casa de quem realmente precisa, so falta mencionar aquilo que os cruzados fizeram para espalhar o catolicismo, aqueles que foram mortos pelos mesmos so por serem diferentes e nao iguais como a biblia diz, ou talvez o merchandising que a religiao cria em todo o lado e que toda a gente insiste em acreditar que e' bom, divino e bonito, qnd tudo nao passa de um negocio. Senao, arranjem trabalho a serio para os padres, que as missas so duram 1 hora...

    "Não nos criou ele (Deus) livres de escolher?! Que culpe o Homem, não a religião."
    Mais areia para os olhos de quem faz as perguntas certas. Aqui vai:
    Deus define-se como omnipotente, omnisciente, entre outras coisas. Como tal, sempre soube no que ia dar criar um ser como o ser humano. Com ou sem livre arbitrio, tudo o que acontece, ele sempre soubre que assim seria. Omnisciente e' isso mesmo. Se tudo esta' como esta' hoje, foi Deus que criou o mundo para assim o ser. Isto de acordo com os religiosos. A qualquer religioso que insista que o seu deus e' omnisciente e omnipotente, e depois culpe o homem do estado em que o mundo esta', a minha resposta sera':
    Ja que o teu deus e' omnipotente, pede-lhe para arranjar esta porcaria toda de um vez por todas, pq para um ser de poder infinito, qualquer pedido finito e' apenas um grao de areia numa praia qualquer, pois se a resposta for nao, ou apenas silencio, podemos assumir que ha algo de estranho em Deus: ou ele e' sadico, ou nao existe.

    Ser ateu ou agnostico nao nos obrigara' a ser pessoas menos boas. A moral nao tem religiao.
    A ciencia continuara' a explicar e a mostrar com provas reais aquilo que a religiao tenta fazer acreditar pela fe' ou por livros escritos na idade da pedra. Custa mais seguir verdades pela ciencia, porque estudar nao e' tao simples qnt ler a biblia e aprender umas oracoes, e nem tao pouco estara' ao alcance de toda a gente. Temos pena, mas essa e' a verdade. Nao e' preciso fe' nenhuma para perceber isto mesmo. Acaba por fazer sentido, que as pessoas prefiram deixar tudo nas maos dum Deus, em vez de querer aprender aquilo que interessa: a verdade das coisas.
    Resta perguntarmos a nos mesmos:
    Serei humilde o suficiente para aceitar o facto que tenho de responder "Nao sei!" a muita coisa, e que vou morrer sem saber muitas mais?

    Donde veio o mundo?
    -sou um ser primitivo que ainda nunca sai do meu planetazinho, se calhar estou a querer saber de mais para agora... que tal marte? e depois logo se v...
    Etc... etc...

    Abraco a todos...
    Joao Calhandro

     

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